quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Contra - versas


Eu nunca sei o que fazer pra te agradar, e você sempre me desagrada também, parece que diz sem pensar e me deixa agora sozinha aqui. Eu pensava que você estava feliz por estar aqui mas eu sempre erro, eu nunca te disse pra me deixar, implorei pra que não fosse, pedi misericordia, me humilhei pra Deus e pedi pra te deixar pra sempre aqui, mas a situação parece está escorrendo pelos meus dedos como as lágrimas escorrem agora, esta talvez seja a última postagem sobre você eu só não quero é sofrer de novo. Suas palavras mudam com tanta frequência, seu olhar ocila demais, seu humor nunca é fixo, suas palavras sempre o vento leva e você nunca se lembra de nada que disse a alguns minutos atrás. Só meu quarto pode ver agora, só ele diz o meu sofrimento por estar sozinha aqui, doente, pensando e chorando por você, não quero mais ter de pensar se for assim melhor não ficar mais, deixar você abrir a porta pra você escapar, eu não consigo, eu não tenho mais forças pra te segurar. Entre tantas lágrimas que nado agora, prefiro deixar você ir embora, abre a porta e vai, já não tenho mais forças, minhas mãos já não consigo controlar, prometi que nunca mais eu choraria por alguém, mas como sempre pensei que dessa vez fosse diferente, mas me enganei você é como todos os outros, e um pouco pior.


Jé Lima

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Perdendo pistas na ventania do metrô



Hoje voltando do trabalho pra casa vi toda aquela paisagem pintada com os raios de sol que vejo todos os dias, mas vi com outros olhos, com os olhos de quem se cansou de tentar buscar respostas pra inquietações da vida. Eu desisto de tentar entender todas as coisas que acontecem à minha volta, o meu mundo é meu, e nele não tem mais espaço pra nada, eu me recuso a deixar qualquer outra coisa entrar, eu não quero mais pensar que todo esse silêncio dia menos dia vai acabar. Quando acordo pela manhã penso nisso, que mais um dia acabou para o novo chegar, mas eu nunca sei se isso será bom ou ruim, suas pistas e rastros somem na ventania do metrô. Você está tão longe, se é que você está, perdi todas as esperanças que você existisse. Joguei todas as lembranças e tardes ao vento, não quero mais que você viva aqui. Cruzo com tantos rostos todos os dias, vejo tantos sorrisos e olhares pesados que se confundem com o meu. Tudo o que sei não vale de nada, o vento sempre leva, o vento sempre sopra pra algum lugar que não é aqui, queria eu dizer que sei quem sou e pra onde vou, nada importa agora, a rua está deserta e escura.

Jé Lima